O maior encontro de heróis da história do cinema valeu cada minuto de espera
Não consigo imaginar um filme que tenha criado mais expectativas do
que “Os Vingadores”. Desde o momento em que saímos do cinema em 2008,
após assistir “Homem de Ferro”, a Marvel vem nos provocando com a
proposta de uma aventura que reuniria todos os seus maiores heróis.
E esta proposta somente foi reforçada nos anos seguintes, como “O
Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2”, “Thor” e “Capitão América – O
Primeiro Vingador”. Com o tempo, a mera escala deste projeto tornou
ainda mais difícil a missão do diretor Joss Whedon de corresponder a
tudo que os fãs tanto aguardavam.
Bem, após finalmente ver a “Os Vingadores”, falo com certeza que este
é um dos melhores filmes de super heróis que eu já assisti.
Aqui, Loki (Tom Hiddleston) retorna com planos para utilizar o
Tesseract, o cubo com poderes cósmicos que vimos em posse do Caveira
Vermelha em “Capitão América – O Primeiro Vingador”. O deus da trapaça
não veio despreparado e trouxe consigo um grotesco e violento exército
vindo de outro mundo. Após os primeiros passos de seu plano serem dados,
a Terra tem apenas dias para existir.
O diretor da S.H.I.E.L.D, Nick Fury (Samuel L. Jackson), une os
heróis com quem manteve contato nos últimos anos, forma os Vingadores e
preocupa-se em fazer a equipe funcionar da melhor maneira possível.
Claro, as coisas não acontecem sem problemas, mas eventualmente, os
personagens fazem por merecer o título de “Os Maiores Heróis da Terra”.
A trama não é exatamente inovadora, especialmente para quem passou os
últimos meses acompanhando todas as novidades sobre ela. Mas eu sempre
digo que uma história bem feita é sempre preferível a uma ideia 100%
nova que acabe sendo mal executada. Principalmente porque estas quase
não existem mais.
O longa não tem pressa em acontecer. Sim, é um “blockbuster” da
melhor qualidade, com cenas de ação de fazer os olhos saltarem, mas tais
momentos não são arremessados em nosso colo a cada dois minutos como
acontece nos trabalhos de por exemplo… Michael Bay. Os combates e
momentos de adrenalina não tem problemas em ceder espaço para o
desenvolvimento de personagens e diálogo. Sim, já conhecemos o Capitão
América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth) e os demais, sim, eles já
foram estabelecidos em seus próprios filmes, mas o fizeram como
indivíduos. Agora, temos a chance de vê-los agindo em conjunto e é
necessário tempo para que possamos nos acostumar a esta nova faceta dos
mesmos.
Por exemplo, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark
Ruffalo) possuem uma afinidade quase instantânea. Ambos são homens da
ciência, racionais, que avaliam todas as possibilidades antes de agir, é
natural que se dessem bem, apesar de suas diferenças. O Capitão América
já atua mais como um irmão mais velho para a equipe, enquanto Thor,
visitante de outro mundo, observa os demais ainda sem se aproximar
demais, mas sempre presente para proteger e ajudar seus novos camaradas.
Vamos lembrar que Joss Whedon é um nerd de marca maior. Como tal, ele
sabe o que os fãs de quadrinhos querem ver nos filmes, assim como
também tem uma boa ideia de qual a melhor maneira de atrair o público
que não necessariamente cresceu com estes personagens. As interações
entre o elenco satisfazem os seguidores da Marvel, assim como irão abrir
um sorriso em quem nunca pegou um gibi nas mãos, mas aprendeu a gostar
destes seres super poderosos com o passar dos últimos anos.
Um excelente exemplar de filme de ação que tem a cabeça e o coração nos lugares certos.

As atuações são espetaculares e mostram como uma boa direção pode
fazer um elenco variado render. Nenhum personagem é esquecido, ninguém é
deixado de lado e não existe “um” astro em meio a todos, a estrela do
filme é de fato o grupo.
A Viúva Negra (Scarlett Johansson) por exemplo, recebeu um papel bem
maior. Enquanto em “Homem e Ferro 2” ela passou a maior parte do tempo
parada, carrancuda e sendo linda, aqui ela atua muito mais. Não apenas
como uma chutadora de bundas oficial, mas também demonstrando que em
termos de inteligência e engenhosidade, nada deve a aqueles que a
cercam.
Mark Ruffalo, como estreante em meio aos heróis, criou um excelente
Bruce Banner. Ele passa calma, tranquilidade e comedimento, mas podemos
perceber também uma certa exaustão, provavelmente causada por sua eterna
necessidade em conter o monstro que habita seu interior, bem como sua
eterna busca por redenção, por algo do qual não tem controle ou culpa.
Claro, não podemos esquecer de Tom Hiddleston e sua impecável
caracterização de Loki. Ele criou um vilão odioso, mas capaz de
despertar uma certa empatia quando percebemos que toda a sua ganância
vem de um imenso complexo de inferioridade e uma necessidade absoluta de
ser querido. Claro, isso não o redime de nenhum de seus pecados, mas o
torna mais assustador, pois aquilo que faz dele um psicopata, homicida e
megalomaníaco, são características bem humanas que todos carregamos
conosco.
Estes são apenas exemplos básicos. Eu poderia passar o dia
descrevendo e elogiando cada atuação, mas no final as contas este é um
filme de ação e se a mesma não funcionar, tudo mais está perdido.
Felizmente, ela funciona.
Como é de praxe em Hollywood no momento, “Os Vingadores” é cheio de
computação gráfica. Mas diferente do que acontece em muitas produções,
ela não é um mero pretexto para se encher a tela de coisas móveis que
justifiquem o preço do ingresso em uma sessão 3D. De fato, aqui os
efeitos visuais são usados de forma inteligente e parecem nunca se
tornar excessivos, mesmo quando um gigante verde e um homem numa
armadura dourada enfrentam alienígenas pelas ruas de Nova York.
As lutas também são muito bem dirigidas, cheias de dinamismo mas sem
cairem no erro de tornarem-se frenéticas demais. Assimilar o que
acontece na tela é automático, graças também a presença do elenco
principal, que sem dúvida faz seu melhor para tornar as batalhas
grandiosas em algo plausível.
Houve também um trabalho especial do diretor em focar-se nas
habilidades especiais de cada herói; Hulk e Thor fazem uso da força
bruta, Homem de Ferro e Capitão América são estrategistas, enquanto
Viuva Negra e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) oferecem um suporte tático
imprescindível para o sucesso dos demais.
Toda esta variação evita o marasmo que poderia vir de um grupo que
apenas utiliza artes marciais na hora de combater seus inimigos. Sempre
que o foco da ação muda, a mesma também o faz e o espectador permanece
grudado na poltrona, atento a cada movimento diante de seus olhos e sem o
risco de ficar entediado.
Resumindo, “Os Vingadores” possui bons diálogos, bom desenvolvimento
de personagens, ótimas atuações e cenas de ação eletrizantes, tudo
misturado com a perfeição exigida de uma obra com tamanha magnitude.
Honestamente, ninguém poderia pedir mais.
Antes de encerrar, quero fazer um adendo mais pessoal. Ao final de
“Os Vingadores”, todos os presentes na sala de cinema estavam tão
impressionados que a sala inteira explodiu em aplausos. Uma plateia
inteira de fãs de quadrinhos, um dos públicos mais difíceis de agradar
de que se tem notícia, aprovou a produção sem nenhuma ressalva.
Joss Whedon, você tinha uma missão difícil em mãos e a cumpriu com
maestria. Não merece menos do que nossa gratidão e respeito. Agora,
desejamos apenas que você volte para a inevitável continuação e dê a
estes heróis, mais uma vez, a dignidade que eles merecem.
Garanto que nos ergueremos e o aplaudiremos novamente.
Por
Amer H.