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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Irma. Número de mortos sobe para 59 e alguns moradores já podem regressar a casa

Irma. Número de mortos sobe para 59 e alguns moradores já podem regressar a casa

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O número de mortos provocados pela passagem do furacão Irma sobe para 22 nos Estados Unidos. Ao todo são já 59. Alguns moradores da Flórida já puderam regressar a casa.
Depois do rasto de destruição deixado nas Caraíbas, sabe-se que agora que o número de vítimas da passagem do furacão Irma – categoria 4 – nos Estados Unidos subiu para 22, totalizando já 59 vítimas mortais. Pelo menos 2 milhões de pessoas já têm acesso a eletricidade.
Todas as 42 pontes do condado de Monroe, que inclui as Florida Keys, já foram inspecionadas e “consideradas seguras para veículos”, anunciou porta-voz do condado. Na terça-feira a Florida Power & Light Co. já tinha restabelecido o fornecimento de eletricidade a 2,3 milhões de clientes – cerca de 40% das pessoas afetadas em todo o estado norte-americano.
Pelo menos 4,4 milhões de pessoas continuam sem acesso a eletricidade. A empresa garantiu que os clientes na costa este podem contar com o restabelecimento de energia até domingo, 17 de setembro. Já os moradores da costa oeste podem ter que esperar até 22 de setembro.
Após vários dias recolhidos em centros de apoio, abrigos e hotéis, os residentes da Flórida podem, na sua maioria, regressar a casa para enfrentar os processos de limpeza e reconstrução que se poderão arrastar durante meses. Apenas os residentes de zonas inundadas ou completamente destruídas devem permanecer nos abrigos.
O presidente norte-americano Donald Trump anunciou que deverá visitar o estado da Flórida na quinta-feira.
Alguns dos moradores já autorizados a regressar a casa são os de Miami Beach e Florida Keys – só os da zona norte. As Florida Keys estiveram inacessíveis durante dias após a entrada do Irma em território norte-americano, com ventos de 220 quilómetros por hora e uma subida das águas do mar de três metros.
Florida Keys
O governador da Flórida, Rick Scott, disse que o furacão deixou efeitos “devastadores” nas Keys, onde pelo menos uma pessoa morreu. Na manhã de terça-feira, muitos moradores puderam ver os estragos em primeira pessoa. Contudo, falta garantir o fornecimento de energia, água, saneamento, serviços médicos e rede móvel.
Mas nem toda a gente evacuou as ilhas. O responsável por gestão de emergências do estado, Bryan Koon, garantiu que pelo menos 10 mil pessoas terão ficado para trás, e que o contacto e acesso às ilhas a sul poderá levar algum tempo.
Um sinal colocado à porta de uma casa em Key West, onde a subida do nível da água do mar terá sido entre os 3 e os 5 metros (Foto. Marc Serota/Getty Images)
Também os residentes de Miami Beach puderam regressar a casa. Limpezas de escombros e escoamento de águas está na ordem dos próximos dias. A icónica Ocean Drive ficou coberta de areia e árvores caídas. Alguns empresários de restauração e comércio começaram também a abrir as portas para avaliar os estragos – ou o stock roubado por pilhadores.
Mais de 50 pessoas foram detidas em Miami em poucos dias por arrombamento e furto de vários estabelecimentos. O chefe da polícia Luis Cabrera já tinha dito que ia ter “tolerância zero para quem tirar proveito da tragédia”.
Em Jacksonville e Charleston, a chuva intensa quebrou recordes de inundação (cerca de 5 metros) e obrigou ao resgate de cerca de 400 pessoas, mas nenhuma morte foi ainda contabilizada.
Nas Caraíbas, nomeadamente em São Bartolomeu, a normalidade regressa, como nos mostra esta fotografia enviada por Eulália Pinto, uma portuguesa na ilha. Os supermercados vão abrindo, farmácias e padarias também, mas o sentido de entreajuda têm sido visível em toda a ilha. “É assim um pouco por todo o lado”, explica ao Observador.
A ajuda tem chegado a São Bartolomeu (Foto: Eulália Pinto)

Brasil não será atingido por furacão pior que o Irma

Brasil não será atingido por furacão pior que o Irma

A página que começou o boato já voltou atrás, mas outros endereços continuam reproduzindo texto

São Paulo – A notícia de que o Brasil pode ser atingido por um furacão quatro vezes pior do que o Irma, que assolou os EUA, viralizou nas redes e tem deixado as pessoas assustadas.
No entanto, ela já foi desmentida pelo próprio site que inicialmente publicou o boato, o Revista NP. O texto, inclusive, citava um instituto de meteorologia que não existe, o IMBRAIM.
EXAME.com falou com o meteorologista Hamilton Carvalho, do Instituto Nacional de Meteorologia, órgão do governo federal, que confirmou que a notícia é completamente falsa.
“O Brasil não tem histórico de furacão, e ele não chega de uma hora para a outra. Em mais de 60 anos, o país só foi atingido por um único furacão, em Santa Catarina [em março de 2004]”, afirmou o especialista.
Ele ainda explicou que é possível prever a formação de um furacão com cerca de uma semana de antecedência, e que os institutos de meteorologia não encontraram nenhum fenômeno parecido nos últimos anos.
Apesar do desmentido (que está fora do ar), outros sites ainda reproduzem a notícia como se fosse verdadeira
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Criminosos obrigam mãe de santo a destruir próprio terreiro em Nova Iguaçu

Criminosos obrigam mãe de santo a destruir próprio terreiro em Nova Iguaçu

Testemunhas disseram à CBN que os traficantes chegaram a urinar nas imagens sacras. Toda a ação foi gravada e divulgada nas redes sociais. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apura um outro vídeo nas mesmas circunstâncias. O caso também teria ocorrido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

  • Ouça a reportagem de André Coelho
    DURAÇÃO: 00:05:26
  • 'Estado não tem vontade política de enfrentar', diz babalaô Ivanir dos Santos
    DURAÇÃO: 00:07:28
  • 'Teologia do domínio propaga a violência e a intolerância', diz antropóloga
    DURAÇÃO: 00:09:59
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Vídeo mostra mãe de santo sendo obrigada por criminoso a destruir o próprio terreiro em Nova Iguaçu (Crédito: Reprodução)
Vídeo mostra mãe de santo sendo obrigada por criminoso a destruir o próprio terreiro em Nova Iguaçu
Crédito: Reprodução

Por André Coelho
Mais um terreiro de candomblé foi atacado por bandidos em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sete criminosos armados invadiram o barracão, no bairro Ambaí, durante uma sessão. Eles obrigaram a yalorixá, sacerdotisa no local, a destruir as próprias imagens sob a mira de uma arma.
Toda a ação foi gravada e divulgada pelos criminosos nas redes sociais. Testemunhas disseram à CBN que os bandidos chegaram a urinar nos santos, dizendo que não permitiriam a prática de "bruxaria" naquela comunidade.
Os "filhos de santo", como são chamados os fiéis, foram obrigados a deixar o local. Criminosos usaram os canos das armas para arrancar as "guias", um tipo de cordão, do pescoço deles.
Nas imagens, é possível ouvir os criminosos usando termos cristãos enquanto a mulher quebra as imagens sagradas.
'Quebra tudo, quebra tudo! Apaga as velas, porque o sangue de Jesus tem poder! Arrebenta as guias todas! Todo o mal tem que ser desfeito, em nome de Jesus! Quebra tudo porque a senhora é quem é o "demônio-chefe"! É a senhora quem patrocina essa cachorrada! Quebra tudo! Arrebenta as guias todas, derrama, quero que quebre as guias todas!'


As imagens de outro ataque também circulam nas redes sociais. As primeiras informações obtidas pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa apontam que o caso teria ocorrido no Parque Flora, também em Nova Iguaçu. Na gravação, um homem é obrigado por criminosos a destruir o próprio terreiro de candomblé.
Os bandidos ameaçam a vítima com um bastão de beisebol onde está escrita a palavra 'diálogo'. Eles dizem para a vítima que ela será morta, caso tente montar um novo terreiro na favela. O grupo chega a gritar o nome de uma facção criminosa durante a ação, além de citar o nome de Jesus Cristo e outros termos comuns em cultos evangélicos.
'É só um diálogo que eu tô tendo com vocês, na próxima vez eu mato! Safadeza, pilantragem! Primeiramente é Jesus! Quando vocês forem bater cabeça aí na casinha do cachorro, vocês primeiro pedem licença a Jesus! Vocês não sabem que o "mano" não quer macumba aqui? Tá peitando por quê? Por que a gente tirou a boca dali? Arrebenta tudo! Eu sou da honra e glória de Jesus! Pensa por que eu não tô na favela essa p*** vai continuar? Já avisei! Se eu pegar de novo ou tentar construir esse c*** de novo, eu vou matar!'


Ativistas que defendem a liberdade religiosa condenaram os novos casos de violência. O presidente da comissão, Ivanir dos Santos, acredita que as ações registradas nos últimos meses são conjuntas. Para ele, os criminosos atuam com base na orientação de lideranças religiosas mal-intencionadas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes.
'Essa é uma coisa muito bem orquestrada e pensada até de ocupação de espaço geográfico. É sinal de que tem algumas más lideranças religiosas metidas nisso. Porque o cidadão em si ele não acorda, da noite pro dia, tem uma miragem, 'ah, Jesus mandou, fui lá e fiz'. Não é isso que está acontecendo. Eles estão falando com uma retórica, com um discurso muito bem contruído. Então alguém botou isso na cabeça dessas pessoas.'
Ontem, o secretário de Segurança, Roberto Sá, se reuniu com o secretário estadual de Direitos Humanos Átila Nunes e o chefe da Polícia Civil, Carlos Leba, para discutir a possível criação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Nós entramos em contato com a Polícia Civil por causa dos dois vídeos, mas ainda não tivemos retorno.
Na semana passada, a CBN exibiu dados do Tribunal de Justiça do Rio que mostram que, desde 2012, o estado não registrou condenações por preconceito ou depredação de itens religiosos.