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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O plano do Google para evitar que o 'Estado Islâmico' recrute jovens pela internet


  • Há 8 horas
Combatente do Estado IslâmicoImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionEstado Islâmico vem recrutando cidadãos de países diferentes, especialmente europeus
Uma das características que diferencia o grupo autodenominado Estado Islâmico de outras organizações extremistas é sua habilidade de usar redes sociais e recrutar novos combatentes pela internet.
Mas, para evitar isso, o Google criou uma iniciativa que, em vez de rastrear potenciais ameaças, pretende mudar a mente de quem está considerando se radicalizar.
Gestado dentro do Jigsaw, uma espécie de think thank do Google até recentemente conhecido como Google Ideas (Google Ideias), o projeto existe há um ano e foi batizado de Redirect Method (método de redirecionamento, em tradução livre).
Usando uma combinação de algoritmos do Google e a plataforma de vídeo YouTube, o Redirect Method disponibiliza anúncios customizados juntamente com resultados obtidos ao buscar palavras-chave e frases que, segundo o Jigsaw, refletem interesse pelo EI.
Web de supremacistas brancosImage copyrightSIMON WIESENTHAL
Image captionJigsaw quer ampliar alcance do programa para outros grupos extremistas, como supremacistas brancos
Esses anúncios redirecionam os usuários a canais do YouTube em árabe e em inglês que oferecem listas de reprodução de vídeos cujo objetivo é contrapor a "lavagem cerebral" do grupo extremista. Entre os vídeos, estão:
•clips com depoimentos de ex-combatentes
•declarações de líderes religiosos muçulmanos que denunciam a leitura radical do EI sobre o Islã
•imagens gravadas às escondidas dentro do califado do grupo no norte da Síria e no Iraque e que mostram uma visão pouco romantizada de como se vive em lugares controlados pelo EI.
"A ideia surgiu quando observamos que há uma grande demanda de material na Internet sobre o EI, mas também há muitas vozes importantes que condenam esse discurso", explica Yasmin Green, chefe de pesquisa e desenvolvimento de Jigsaw, na revista americana Wired.
Campanha de recrutamento do EIImage copyrightEI
Image captionEI controla grande parte do Iraque e da Síria

Escolha dos vídeos

O projeto é desenvolvido pela incubadora do Google junto com duas empresas: a britânica Moonshot CVE e a libanesa Quantum Communications.
Essas duas companhias foram responsáveis por criar listas de reprodução de vídeos no YouTube em árabe e em inglês.
Coube à Jigsaw, no entanto, escolher mais de 1,7 mil palavras-chave para gerar anúncios que redirecionam os usuários a vídeos anti-EI.
A equipe por trás do projeto também tomou cuidado ao escolher os títulos desses anúncios. Em vez de mensagens explicitamente agressivas, o Jigsaw optou por frases como "O EI é legítimo?" ou "Você quer se unir ao EI?" para chamar a atenção dos usuários.
Mas buscar informação sobre o EI ou ver algum dos vídeos de propaganda do grupo não implica em querer se filiar ao grupo.
Yasmine Green assegurou que o Redirect Method não busca rastrear ou identificar os usuários que fazem buscas, mas conscientizá-los.
"Podemos fazer a diferença em relação à filiação dos estrangeiros ao EI dando-lhes mais informação", explicou.
Redes sociaisImage copyrightREUTERS
Image captionEI vem usando redes sociais para recrutar novos membros

Resultados positivos

O Google afirma que os resultados do projeto piloto foram surpreendentemente positivos: durante dois meses, mais de 300 mil pessoas foram atraídas aos canais anti-EI no YouTube.
Centenas de milhares de usuários passaram um total de 500 mil minutos (8 mil horas) assistindo aos vídeos. Os mais eficazes foram visualizados durante 8 minutos e 20 segundos em média, tempo maoir do que o normal.
Os dados foram tão reveladores que o Google planeja agora ampliar o projeto para todas as ameaças extremistas nos Estados Unidos, tanto de potenciais recrutadores do EI quanto de supremacistas brancos violentos.
No entanto, como provar que as pessoas que assistiram aos vídeos abdicaram da radicalização?
"Nosso projeto está longe de ser uma solução à propaganda online do EI", avalia Humera Khan, diretora-executiva do Muflehun, um grupo especializado em desradicalizar extremistas.
"Atrair simpatizantes do EI a uma lista de reprodução de vídeos é, assim, apenas um primeiro passo", acrescenta.
"Ou seja, isso é parte da solução. Mas deve ser a única", conclui.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Steve Jobs: sem fundador, Apple tem sucesso, mas futuro é incerto

France Presse
05/10/2016 09h19 - Atualizado em 05/10/2016 09h19

Morte de um dos fundadores da empresa completa 5 anos em 5 de outubro.
Apesar do alto lucro e valor de mercado, Apple tem relevância contestada.

Da France Presse
Steve Jobs, cofundador e então presidente-executivo interino da Apple, em 1998, durante uma apresentação em San Francisco, Califórnia. (Foto: Monica Davey / France Presse)Steve Jobs, cofundador e então presidente-executivo interino da Apple, em 1998, durante uma apresentação em San Francisco, Califórnia. (Foto: Monica Davey / France Presse)
























Cinco anos depois da morte de Steve Jobs, a Apple continua crescendo e multiplicando seus lucros, mas, sem seu líder visionário, o futuro da companhia é incerto.

Do ponto de vista financeiro, a marca da maçã não pode se queixar: seu lucro líquido atingiu os US$ 53 bilhões no exercício encerrado no final de setembro de 2015, e seu volume de negócios foi de US$ 234 bilhões. Essas cifras se multiplicaram desde o último ano do reinado de Jobs, cofundador da Apple, que faleceu vítima de um câncer de pâncreas em 5 de outubro de 2011.

Sua capitalização financeira, de pouco mais de US$ 600 bilhões, já não é igual à de 2015, quando estava alta, mas continua sendo mais do que o dobro do valor de 2011.

Com esses dados, a Apple continua sendo a número um, à frente da Alphabet, a empresa-mãe da Google.

Alguns analistas se perguntam, porém, se a Apple, que revolucionou a telefonia móvel com seu iPhone em 2007 e com um grande ecossistema de aplicativos, não está perdendo velocidade.
"É muito difícil manter o ciclo de inovação, quando se desenvolveu um produto bem-sucedido", comentou o analista Jack Gold, da J. Gold Associates. "Com cada nova criação que funciona, fica cada vez mais difícil. A pergunta que persiste é: 'Qual será a próxima revolução?'. E não é óbvio dizer qual será", acrescentou.

Inovações
Vivek Wadhwa, professor da Universidade de Carnegie Mellon e ex-empresário no Vale do Silício, considera que a Apple vive de suas invenções passadas e não tem muita coisa nova para acrescentar.

"Não vimos inovações consideráveis da Apple desde o final da era Jobs", disse. O último iPhone 7 "vendeu bem, mas continua sendo o mesmo aparelho", destacou.

Necessidade de um 'visionário louco'A Apple se desenvolveu em serviços como música on-line e pagamentos móveis. Além disso, tem grandes ambições em realidade virtual e veículos autônomos. Mas a maior parte de sua receita ainda vem do iPhone.

"Não determinaram o que querem propôr", lamentou Vivek Wadhwa. "Se quisessem um automóvel Apple, deveria ter saído agora, para competir com o Tesla", fabricante de veículos elétricos do bilionário Elon Musk.

Tim Cook
O atual diretor-geral da Apple, Tim Cook, foi parabenizado por sua atuação na Apple, mas ninguém vê nele as mesmas qualidades de seu ilustre antecessor. "Tim Cook é um sujeito que se ocupa do operacional. É muito bom para obter uma rede de fornecedores para produzir coisas", resumiu Jan Dawson, da Jackdaw Research.

"Ele conhece suas limitações. Sabe que não é o apresentador mais carismático. Sabe que não é Steve Jobs", completou. O analista destacou que a Apple duplicou seus gastos em pequisa e desenvolvimento desde que Cook assumiu.

"Mantém um certo nível de preços e uma experiência de alta qualidade, e isso não mudou entre Steve Jobs e Tim Cook", avaliou.

O sucesso da Apple não se deve ao fato de ter sido pioneiro em uma parte do mercado, mas à sua capacidade de melhorar e de aperfeiçoar produtos.

"Não foram os primeiros a fabricar um leitor (de música) MP3, um smartphone, ou um tablet", acrescentou. "A Apple espera seu momento e, quando pode fazer uma contribuição importante para uma categoria (de produto), se lança e melhora a experiência", afirmou.

Dada a saturação do mercado dos smartphones e uma concorrência cada vez mais agressiva, é difícil determinar se a Apple estaria em uma posição diferente, caso Steve Jobs estivesse vivo, segundo o analista.

Para Vivek Wadhwa, Tim Cook deixou passar oportunidades de "reinventar" o grupo. "As pessoas demostraram muita paciência porque todos querem a Apple", disse Vivek. "Precisamos de um visionário louco para dirigir a empresa", concluiu.
tópicos:
Alphabet,  Apple,  Google,  Steve Jobs,  Tesla,  Tim Cook
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Obama alerta para passagem do furacão Matthew pelos EUA

05/10/2016 14h30 - Atualizado em 05/10/2016 16h48

Após passar pelo Caribe, furacão avança para o sudeste dos EUA.
Furacão foi rebaixado a categoria 3 em escala de cinco categorias.

Do G1, em São Paulo
Homem instala prtoeção a janela em casa de frente para o mar em Garden City Beach, na Carolina do Norte, para se preparar para a passagem do furacão Matthew (Foto: REUTERS/Randall Hill)Homem instala proteção a janela em casa de frente para o mar em Garden City Beach, na Carolina do Norte, para se preparar para a passagem do furacão Matthew (Foto: REUTERS/Randall Hill)
O presidente americano, Barack Obama, pediu que os moradores do sudeste dos Estados Unidos se preparem para a chegada iminente do furacão Matthew e atendam as ordens de evacuação.

Matthew atingiu o Haiti e Cuba como um furacão de categoria quatro, mas, desde então, foi rebaixado para três, em uma escala de cinco, pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos. O fenômeno, que deixou 4 mortos na República Dominicana e ao menos 13 no Haiti, está se dirigindo aos EUA, na região dos estados da Flórida, Georgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte.
"Isso é algo que deve ser levado a sério. Esperamos o melhor, mas queremos nos preparar para o pior", disse, descrevendo Matthew como uma "tempestade séria" que pode ter um "efeito devastador".

"Se você receber uma ordem de evacuação, lembre-se que você sempre pode reconstruir. Você sempre pode consertar propriedades. Mas você não pode restaurar uma vida se ela for perdida", disse Obama na Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, em inglês).

Fotos da agência France Presse mostram moradores de cidades em alerta protegendo janelas e portas de vidros de suas casas e indo a supermercados para estocar alimentos. Em uma unidade do Walmart em Orlando, na Flórida, as prateleiras já estão quase vazias (veja abaixo).
Prateleiras de unidade do Walmart em Orlando, na Flórida, estão vazias; moradores se preparam para a passagem do furacão Matthew pelo sudeste dos EUA (Foto: Camila Veita Bononi)Prateleiras de unidade do Walmart em Orlando, na Flórida, estão quase vazias; moradores se preparam para a passagem do furacão Matthew pelo sudeste dos EUA (Foto: Camila Veita Bononi)



















O furacão obrigou Obama a cancelar uma visita à Flórida nesta quarta-feira. Em vez disso, ele fez a viagem curta através de Washington até a sede da Agência.
"Nós já temos equipes de resposta e suprimentos pré-posicionados e prontos para ajudar as comunidades na região", disse Obama.
"Quero enfatizar para o público que esta é uma tempestade séria. Ela já atingiu o Haiti com efeitos devastadores. Está agora no processo de movimentação pelas Bahamas".
"Devido ao fato de não estar atingindo terra suficiente, ganhará força em seu caminho para a Flórida", explicou.

Cinco razões por que as máquinas moleculares ganharam o Nobel


Trio de cientistas ganhou o Nobel de Química nesta terça-feira pela criação das “menores máquinas do mundo”. Saiba por que são importantes

Um trio de cientistas responsável pela criação de máquinas moleculares, as“menores máquinas do mundo”, ganhou o prêmio Nobel de Química nesta terça-feira. O francês Jean-Pierre Sauvage, o britânico J. Fraser Stoddart e o holandês Bernard Feringa desenvolveram motores, eixos, correntes, elevadores e até um “veículo” em escala molecular, que podem ter diversas aplicações futuras em nanotecnologia e biociência – essas máquinas poderiam, por exemplo, fazer parte da próxima geração de computadores ou levar medicamentos às células para combater o câncer.
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Os três pesquisadores, que vão dividir o prêmio de 8 milhões de coroas suecas (933.000 dólares ou mais de 3,5 milhões de reais) concedido pela Academia Real de Ciências da Suécia, contribuíram de maneiras diferentes para a criação das máquinas. Em 1983, Sauvage deu o primeiro passo nas pesquisas, ao conseguir transformar a ligação química entre duas moléculas em uma ligação “mecânica”. Esse substituição foi fundamental pois, para que uma máquina seja capaz de executar tarefas, suas diferentes partes precisam se mover em relação às outras – algo que as fortes ligações covalentes, que ocorrem naturalmente entre as moléculas, não são capazes de fazer.
Essa foi a base sobre a qual Stoddart e Feringa trabalharam, criando as primeiras estruturas sintéticas capazes de transformar energia em diversos tipos de movimentos controláveis.
Mas por que esses estudos são considerados um importante avanço científico? Veja abaixo cinco razões por que as “menores máquinas do mundo” podem revolucionar a ciência e medicina:

1. Elas foram algumas das primeiras “máquinas inteligentes”

As células dos seres vivos funcionam como motores, recebendo energia e executando funções como transmitir informações, regular temperatura, reparar danos ou fazer órgãos funcionarem. A ideia do trio de cientistas que ganhou o Nobel foi replicar esse trabalho em estruturas sintéticas – as máquinas criadas por eles conseguem, a partir da adição de energia, realizar tarefas, como movimentos controláveis. Assim, esses minúsculos dispositivos podem ser usados para a criação de materiais capazes de se “auto reparar” ou de executar funções sozinhos, por meio de estímulos externos.

2. São 1.000 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo

As máquinas moleculares não podem ser vistas a olho nu. Minúsculos, esses motores, roldanas e correntes são um incrível avanço para a área da nanotecnologia, principalmente na área de biociência e informática. No futuro, invenções feitas a partir dessas máquinas poderão, por exemplo, levar medicamentos a pontos específicos do organismo.

3. Funcionam como peças que poderão fazer parte de sofisticados nanorobôs

“Em termos de desenvolvimento, o motor molecular está no mesmo estágio em que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam diversas rodas e manivelas sem saber que elas levariam a trens elétricos, máquinas de lavar, ventiladores e processadores de alimentos. Máquinas moleculares serão provavelmente utilizadas no desenvolvimento de novos materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia”, afirma o comunicado da Academia Real de Ciências da Suécia.

4. Seu impacto pode ser comparado à invenção do microchip

Segundo comunicado da Academia Real de Ciências da Suécia, “os laureados deste ano miniaturizaram máquinas e conduziram a química a uma nova dimensão”. A criação de uma estrutura em dimensões reduzidas, o microchip, revolucionou a comunicação em todo o globo. Segundo o comitê do Nobel, as pequenas máquinas criadas por Sauvage, Stoddart e Feringa, apesar de ainda estarem em estágio inicial, poderão também promover imensas transformações na tecnologia.

5. Elas poderão revolucionar a medicina e informática

Em entrevista após o anúncio do prêmio, Feringa sugeriu ao comitê do Nobel que as máquinas moleculares podem ser usadas como nano robôs que entregarão medicamentos para células com câncer ou na criação de novos materiais inteligentes que consigam se adaptar ou mudar de acordo com o ambiente.